domingo, 7 de setembro de 2014

Eleitores dão seu grito de independência contra velhas práticas.


Especialista analisam as tendências manifestadas nas últimas pesquisas

Há pouco menos de um mês para as eleições, que acontecerão no dia 5 de outubro, o eleitorado brasileirotem se mostrado cada vez mais decidido em suas escolhas. Apesar da dificuldade em se prever quem sairá vitorioso com base no resultado das pesquisas de intenção de voto, especialistas acreditam que as manifestações do ano passado podem influenciar na escolha dos candidatos e no posicionamento do eleitor. Seja como for, os nomes que aparecem com destaque nas projeções mostram claramente que o eleitor assume uma posição e mostra que quer dar seu grito de independência contra velhos vícios e antigas práticas políticas que ficaram no passado. Neste 7 de Setembro, nada mais significativo do que analisar o por quê desta tendência.
Para o cientista político Ari de Abreu, da UFF, “as motivações dos eleitores na escolha de seus candidatos e também da rejeição de outros são variadas. As manifestações trouxeram contestação às organizações partidárias e aos partidos políticos. De alguma forma, elas afetaram o desempenho da Dilma. Eu acredito que há uma postura de mudança, de crítica ao governo e a forma que se faz política. Não sei até que ponto vai ser assim, pode haver surpresas. É difícil prever o que está movendo o eleitor.”
Aécio Neves, Dilma Rousseff e Marina Silva
Aécio Neves, Dilma Rousseff e Marina Silva
Jacqueline Quaresemin é professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP) e também diretora da Opinare Pesquisa. Ela acredita que o eleitorado brasileiro está cada vez mais consciente. "As pessoas estão buscando mudança. Elas querem democracia, querem valorização, querem participação. As manifestações do ano passado tomaram aquela proporção porque as pessoas estavam descontentes. O movimento buscava pensar a sociedade. O eleitor não se sente representado pelos partidos políticos.”
Ainda sobre as manifestações, a cientista política analisa que Marina, de certo modo, é independente. "Seu partido Rede Sustentabilidade não foi registrado a tempo. O 'não' aos partidos, de algum modo manifestado nas mobilizações de julho de 2013, traduz um pouco isso. Analisar se a decisão do eleitores é definitiva ou poderá mudar, pergunta que está sendo feita pelos Institutos de Pesquisa Ibope e Datafolha, é um cruzamento interessante para observar tendências nos próximos 30 dias”.
Jacqueline continua sua avaliação dizendo que o cidadão quer ser protagonista das suas ações. "O resultado das pesquisas é uma fotografia do momento, reflexo dos programas eleitorais. É a reação do eleitor a isso. O que as pesquisas estão mostrando é que o eleitor está vendo a Marina Silva como uma terceira via para a polarização entre PT e PSDB. O eleitorado dela é jovem, atraído pelo discurso de sustentabilidade. Além disso, ela é contundente em seu discurso de críticas à Dilma. A Marina é uma aposta, mostra potencial. O eleitor jovem se atrai pela possibilidade de mudança”.
Uma questão aparentemente não muito clara é o motivo que leva Aécio e não ser considerado como um símbolo da mudança em lugar de Dilma Rousseff. O tucano aparece em terceiro lugar nas pesquisas desde que Marina Silva se tornou candidata. E não tem mostrado grande crescimento. Para Jacqueline, isso aconteceu porque Aécio fez um ataque direto ao PT. "Ele não conseguiu se colocar como alternativa. Já a Marina, sim. O voto dos indecisos acaba migrando para quem está na frente. A Marina tem esse perfil de alguém simples, que tenta colocar verdade na sua palavra, teve origem no PT. Assim como o Lula. O Aécio, não”.

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