Sérgio Lima / Folhapress
Executiva Nacional do PSB determinou o apoio ao mineiro por 21 votos a 7
Após mais de três horas de reunião e com algumas divergências, a Executiva Nacional do PSB, o partido de Marina Silva, aprovou na tarde de ontem o apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência.Foram 21 votos a favor contra 7 que optavam pela neutralidade. O senador João Capiberibe (AP) foi o único a defender o apoio a Dilma Rousseff (PT). Aécio iria comparecer ainda na noite de ontem à sede do PSB para receber mais esse apoio.
Aliado do PT e oposição aos tucanos durante boa parte de sua história, o PSB rompeu com o governo petista. No primeiro turno, o PSB acusou os petistas de patrocinarem uma campanha de mentiras contra a ex-senadora.A decisão do partido foi liderada pelo vice na chapa de Marina, Beto Albuquerque (RS), e pela seção pernambucana da legenda, a mesma do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em agosto.
Entre os que divergiram da decisão está a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, coordenadora-geral da campanha de Marina. Em uma fala incisiva, ela argumentou que o melhor seria a neutralidade devido às históricas diferenças entre o PSB e os tucanos.A decisão do partido de Marina faz parte do processo montado por ela para, ao que tudo indica, selar a adesão à candidatura tucana nesta quinta-feira (9). Derrotada no 1º turno, ela costura um apoio dos partidos de sua coligação à essa decisão.
Mas seu grupo político, a Rede Sustentabilidade, ainda discute o rumo a ser tomado. Marina, porém, deve embarcar na candidatura do senador mineiro mesmo que não haja unanimidade entre seus aliados.Além do respaldo dos partidos, ela quer obter de Aécio um claro compromisso com alguns pontos de seu programa, entre eles a defesa das reivindicações indígenas e o fim da reeleição.
Resistência
O grupo que buscava barrar o apoio a Aécio contava com o apoio do presidente da legenda, Roberto Amaral, que é mais próximo do PT.Na portaria da sede da sigla, na região central de Brasília, chegaram a ser pregadas folhas com a inscrição: “Aqui o socialismo resiste. #nenhumvotonoPSDB”.O PPS já havia aderido a Aécio.
Após receber apoio, Aécio lembra Campos
Ao receber o apoio do PSB, Aécio Neves (PSDB) afirmou na noite de ontem que passa a ser o candidato “das verdadeiras mudanças”.Em evento ao lado de toda a cúpula do partido de Marina, em Brasília, o tucano lembrou o ex-presidente do PSB e ex-candidato do partido à Presidência, Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em agosto.
Aécio encerrou seu discurso repetindo uma das últimas declarações de Campos, que acabou virando mote da campanha de Marina: “Quero encerrar minhas palavras de profundo agradecimento a vocês dizendo: nós não vamos desistir do Brasil”.Marina, que não estava presente no ato, deve anunciar o apoio ao senador mineiro hoje, também em Brasília. Ela indicou essa intenção no domingo, após o resultado que a mostrou fora do segundo turno.
“A partir desse instante sou porta-voz não de um partido político, o PSDB, não mais de uma aliança partidária, a que me trouxe até aqui. Sou, a partir desse instante, dessa histórica manifestação do PSB, o candidato das mudanças verdadeiras”, disse Aécio, ainda em seu discurso.“Passo a ter a responsabilidade de, no limite das minhas forças, levar pelo Brasil inteiro o legado de Eduardo Campos”, acrescentou, ao lado do presidente do PSB, Roberto Amaral, que foi voto vencido pela neutralidade da legenda. Ele é próximo ao PT.
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