13/09/2014 - 00:15
Argemiro Lima / NJ
No evento do PT, Robinson Faria se declarou “um filho adotivo” do partido e não comentou denúncia
O vice-governador Robinson Faria (PSD), atualmente candidato ao governo do Rio Grande do Norte, negou ontem a possibilidade de retirar da sua chapa para as eleições de 05 de outubro o nome do deputado estadual Fábio Dantas (PC do B), seu candidato a vice. O parlamentar foi apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como envolvido na Operação Pecado Capital, que apura irregularidades no Instituto Estadual de Pesos e Medidas (Ipem). Dantas é acusado pelo MPF de indicar uma sobrinha para o Instituto. O problema: a indicada era (de acordo com as investigações) funcionária fantasma do órgão.
Robinson Faria recebeu com surpresa a notícia da inclusão do vice nas investigações do Ministério Público Federal. “Eu não tenho informação. Eu estava no interior e não posso aqui, tecer nenhum comentário. Mas o que eu posso dizer é que eu estive ontem com o deputado Fábio Dantas, rapidamente em um comício. Não conversamos sobre isso, mas ele, muito tranquilo”, disse ontem, em um hotel da Via Costeira, após evento do Partido dos Trabalhadores.
Segundo ele, as investigações não irão afetar os rumos da campanha. Robinson Faria também se negou a comentar sobre as investigações realizadas pelo Ministério Público Federal (MPF). “Vou aguardar ele se pronunciar. Ele deve saber o que responder e prestar as informações necessárias para esclarecer ao povo”, disse.A reportagem do NOVO JORNAL tentou ouvir o deputado estadual Fábio Dantas durante toda a manhã, mas ele não atendeu aos telefonemas da reportagem. Ele e Robinson Faria realizaram mais uma etapa da campanha. Visitaram as cidades de Caiçara do Norte, São Bento do Norte, Pedra Grande, Parazinho, São Miguel do Gostoso e Touros.
Em Natal, durante um evento do PT que contou com integrantes do movimento social e com o secretário geral da Presidência da República Gilberto Carvalho, o candidato Robinson Faria, disse que se sente “filho adotivo” do Partido dos Trabalhadores. Segundo as investigações do Ministério Público Federal, o deputado Fábio Dantas foi responsável pela inclusão do nome de Luíza Carvalho Dantas, sobrinha do atual vice-governador, na listagem de pagamentos do Ipem. A fraude perdurou entre 2007 e 2009.
Luíza Carvalho Dantas exerceu papel de prestadora de serviços para o órgão quando Rychardson de Macedo assumiu a direção, em abril de 2007, mas Fábio Dantas solicitou a permanência da sobrinha na lista de pagamentos. O pedido foi feito ao deputado estadual Gilson Moura, o responsável pela indicação de Rychardson Macêdo à direção do Ipem.Sem ter obrigação de trabalhar e sem comparecer ao órgão público, Luíza Carvalho assinou novos contratos de prestação de serviços. O primeiro ocorreu entre maio de 2007 a maio de 2008.
A segunda temporada se estendeu de 2008 a maio de 2009. Por fim, ela recebeu pagamento entre maio de 2009 a 30 de junho de 2009. A remuneração mensal era de R$ 600 mensais, que ao total somou R$ 15,6 mil.As investigações mostraram as assinaturas firmadas nos três contratos eram diferentes entre si. Para o MPF, ocorreu uma possível falsificação. Luíza Carvalho foi notificada para prestar esclarecimentos, mas, segundo alega a procuradoria da República, ela não foi prestar depoimento.
Segundo o depoimento de Daniel Vale Bezerra, que também teve o nome envolvido no início do processo da Operação Pecado Capital, a sobrinha de Fábio Dantas trabalhou alguns meses no Ipem, mas não compareceu mais para o serviço. O ex-diretor do Ipem, Rychardson de Macedo, também confirmou a articulação entre os deputados. Em depoimento aos promotores, ele afirmou ainda que a sobrinha de Fábio Dantas não comparecia ao trabalho. “Essa Luíza Carvalho eu me lembro, ela é sobrinha do deputado Fábio Dantas. Já estava da gestão anterior.
E ele conversou com Gilson pra manter ela lá e ela num ir trabalhar. E assim foi feito”. Os envolvidos na fraude irão responder por atos de improbidade que importam em enriquecimento ilícito, prejuízo ao erário e que atentam contra os princípios da administração pública.

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