sexta-feira, 5 de julho de 2013

PT descarta candidatura de Lula em 2014 e aposta em reforma política neste ano quando disse à Dilma para encampar reforma.



A possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser o candidato do PT à Presidência no ano que vem "não tem ressonância" na alta cúpula da legenda, disse nesta quinta-feira o presidente da sigla, Rui Falcão.


A volta de Lula tem ganho alguns simpatizantes até mesmo dentro do PT, especialmente depois da onda de manifestações que tomou as ruas das principais cidades do país no mês passado e da queda na popularidade e na intenção de voto da presidente Dilma Rousseff, que é candidata à reeleição.
A possibilidade de Lula disputar uma eleição presidencial pela sexta vez no ano que vem tem sido publicamente descartada pelo próprio ex-presidente.
Essa hipótese foi afastada pela cúpula do partido, após reunião da Executiva Nacional petista, em Brasília, nesta quinta-feira, para avaliar a atual conjuntura nacional. A conclusão a que chegaram é que o partido não deve se dividir e deve estar unido em torno de Dilma em 2014.
"A nossa posição e tudo que foi manifestado lá é de defesa do nosso governo e de apoio integral às iniciativas adotadas pela presidenta Dilma", disse Falcão. "Esse assunto não ganha ressonância entre nós", disse.
Um pouco antes da reunião terminar, o senador Jorge Viana (PT-AC), já havia adiantado que o "Volta Lula" havia sido rejeitado pela Executiva.
"Isso seria pior do que antecipar as eleições", disse ele a jornalistas. Segundo o senador, debater esse tema poderia fazer o governo "somatizar" as turbulências causadas pelas manifestações que tomaram conta do país.
REFORMA VÁLIDA PARA 2014
Após o encontro, Falcão disse acreditar que a pressão das manifestações devem garantir a realização de uma reforma política ainda neste ano, para que as novas normas possam valer já para a disputa eleitoral de 2014.
A proposta de Dilma de um plebiscito para uma reforma política que entre em vigor já no ano que vem tem enfrentado resistência entre partidos aliados e gerado declarações desencontradas entre integrantes de seu governo.
Nesta quinta, o vice-presidente Michel Temer afirmou pela manhã que seria inviável uma reforma política que valesse já para o ano que vem, por conta do calendário apertado. À tarde, no entanto, recuou em nota à imprensa e disse que a prioridade do governo é uma reforma que seja efetiva para 2014.
Para Falcão, a mesma pressão popular que resultou nos últimos dias na celeridade dos trabalhos na Câmara e no Senado pode permitir que pelo menos alguns pontos da reforma política, definidos por meio de plebiscito, possam ser aplicados nas próximas eleições.
"Confiamos em duas questões: primeiro, na aglutinação de outras forças que também desejam reforma já e, segundo, na manifestação de descontentamento que foi apresentada nas ruas com o sistema político atual. E que o Congresso seja sensível a esse tipo de manifestação, que a meu ver vai continuar", argumentou o petista.
Uma nota emitida pela executiva conclama as bancadas do partido na Câmara e no Senado a "trabalharem pela coesão da base aliada da presidenta Dilma no Congresso para convocação no mais curto prazo do plebiscito nacional pela reforma política".
A pressa do governo, entretanto, enfrenta uma barreira no calendário eleitoral. Na terça-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disse que o plebiscito poderia ser realizado 70 dias depois de sua convocação pelo Congresso.
Apenas após a realização da consulta é que os parlamentares trabalhariam para produzir e aprovar a reforma política nos moldes definidos pela população no plebiscito.
Outro obstáculo é o princípio da anualidade, que determina que as regras eleitorais não podem ser alteradas a menos de um ano da eleição, que está marcada para outubro de 2014.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula quer participar ativamente da campanha a favor do plebiscito da reforma política, defendido pela presidente Dilma Rousseff. No encontro que teve com Dilma, na semana passada, para tratar das grandes manifestações nas ruas, Lula teria sugerido que ela encampasse o debate sobre a reforma política, segundo fontes ouvidas pelo Estado.
Lula reuniu-se na última terça-feira pela manhã com representantes de movimentos sociais aliados do governo para ouvi-los a respeito da onde de protestos. Nas conversas, defendeu a limitação de reeleições dos mandatos eletivos (para deputado, senador e vereador). O petista lembrou que, quando presidente do Sindicado dos Metalúrgicos do ABC, reformou o estatuto da entidade para proibir reeleições seguidas dos cargos de direção.
De acordo com um dos participantes da reunião, o ex-presidente demonstrou curiosidade sobre as ferramentas das redes sociais para chamar o povo às ruas, como o Facebook, o Twitter e outros semelhantes. Lula disse que mobilizações pela internet seriam valiosas para aprovar a reforma política. O ex-presidente estaria empenhado em testar as redes sociais para mobilizações políticas.
Participaram da reunião com Lula representantes da União da Juventude Socialista, braço do PC do B, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), da Juventude PT, da Juventude MST e da Marcha Mundial das Mulheres, este também ligado ao PT.
Entre os assessores de Lula estavam presentes os ex-ministros Luiz Dulci (Secretaria-Geral) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), que o acompanharam depois da fundação do Instituto Lula.
África
O ex-presidente contou que viaja hoje (28) para a África, onde participará de eventos sobre o combate à aids e à fome e que, ao retornar ao Brasil, pretende ajudar na mobilização a favor da reforma política.
Conforme um dos participantes do encontro, Lula falou que a defesa do passe livre (reivindicação que deu início à ocupação das ruas) para o transporte era “justa” e que, na sua opinião, o cenário era otimista.
Depois de indagar aos presentes o que estava levando grupos a praticarem o vandalismo, Lula ouviu dos representantes dos movimentos sociais que a reação ocorria por causa de ataques da Polícia Militar de São Paulo aos participantes de uma passeata, no dia 13 deste mês.
Os representantes dos movimentos sociais disseram a Lula que fazem parte de uma geração que tinha entre 8 e 13 anos quando o ex-presidente assumiu o governo. Nasceram já no Estado Democrático de Direito e, portanto, diferentemente das gerações anteriores, “a moçada de agora” só conhecia o pleno direito de manifestação. E que, por intermédio das redes sociais, milhões se mobilizaram para reagir a agressões.

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