
Logo que a história caiu na imprensa, Henrique Alves resolveu depositar R$ 9.700 para a União na última quarta-feira (3). O montante corresponde à carona que ele ofereceu a sete familiares para uma viagem de Natal (RN) para o Rio de Janeiro (RJ), no último fim de semana, para acompanhar a final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha.
Alves reconheceu o erro tão logo a história foi divulgada: "O meu erro, reconheço, foi ter permitido que pessoas me acompanhassem, pegando carona nesse voo para o Rio de Janeiro. Já mandei ressarcir o valor de cada passagem correspondente".
O caso de Alves não foi o primeiro de políticos pegando ou dando carona com dinheiro público. Em 2009, o Congresso em Foco revelou que parlamentares que se tornaram ministros distribuíram para parentes 64 passagens aéreas da Câmara mesmo depois de terem assumido seus cargos no Executivo. O então ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima foi um dos envolvidos no caso. Ele usou quatro passagens a que não tinha mais direito.
Reinhold Stephanes, que ocupava a pasta da Agricultura, usou 15 passagens de avião. Ato da Câmara diz que perde o direito a cota parlamentar o deputado titular que for substituído pelo suplente. Os ministros alegaram que deixaram de receber a cota de passagem aérea quando assumiram seus cargos no governo, mas que as passagens emitidas eram de crédito que tinham da época em que exerciam seus mandatos e que elas "sobraram".
Porém, quem mais aproveitou a cota “extra” foi José Múcio Monteiro, então ministro das Relações Institucionais, que utilizou 54 passagens da Câmara após 22 de novembro de 2007, quando assumiu o ministério. Na época, sua assessoria emitiu uma nota dizendo que “ao se licenciar, o ministro transformou seu saldo de passagem em crédito. Portanto, ele usou esse crédito pessoal, não cometendo nenhuma irregularidade".
A farra das passagens parecia infinita. Quando se descobriu o que os parlamentares faziam, não pararam de pipocar casos. O congresso em Foco revelou que João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara em 2003-2004 e condenado pelo STF no julgamento do mensalão, emitiu passagens para ele, a mulher e a filha para uma viagem até Bariloche em julho de 2008.
Além dele, Rodrigo Maia (DEM-RJ) levou a mulher e a filha para Nova York. Quando questionado, reconheceu que a viagem a turismo. Maia também levou a esposa a Paris, mas disse que estava indo em missão oficial a Londres com escala na capital francesa. À época, ele declarou que "foram viagens em que coincidiram passeio e trabalho".
O ex-deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), também proporcionou a membros de sua família viagens ao exterior usando passagens da Câmara. Foram emitidos dois bilhetes. Gabeira declarou que agiu “como se a cota fosse minha propriedade soberana. Confesso que caí na ilusão patrimonialista brasileira". O deputado devolveu à Câmara a quantia de R$ 6.756,79 referentes à passagem utilizada pela sua filha e R$ 88.962,73 referentes a créditos de milhagem acumulada.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), cedeu parte de sua cota aérea à namorada, a jornalista Mônica Dallari. Entre 2007 e 2008, foram gastos R$ 5.521 em passagens pagas com o dinheiro público. Suplicy também usou a cota para pagar uma viagem de Mônica a Paris. O petista diz que restituiu o dinheiro da viagem de sua namorada à França.
O senador e ex-presidente da República José Sarney foi flagrado pelo jornal Folha de S. Paulo em agosto de 2011 usando um helicóptero da Polícia Militar do Maranhão para passear em sua ilha particular. Numa das viagens até a ilha de Curupu, onde tem uma casa, o senador foi acompanhado de um empresário que tem contratos milionários no Maranhão governado por sua filha Roseana Sarney (PMDB). À época, Sarney, afirmou, por meio de sua assessoria, que o uso pessoal do helicóptero da Polícia Militar do Maranhão se justifica porque ele tem "direito a transporte de representação e segurança em todo o território nacional, seja no âmbito federal ou estadual, sem restrição às viagens de serviço".
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